

No caso do Brasil, a situação é mais preocupante, justamente, pela piora da evolução das contas públicas. A dívida pública brasileira vem crescendo desde 2023, início do atual mandato de Lula, e deve chegar nos 96,5% do PIB ainda neste ano, conforme regras do FMI.
O mercado local melhorou em R$ 6,94 bilhões a estimativa para o déficit primário do governo federal deste ano, conforme o Prisma Fiscal de abril, divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, também nesta quarta. A previsão média para o déficit primário deste ano passou de R$ 65,959 bilhões para R$ 59,019 bilhões e a da dívida bruta do governo geral (DBGG), principal indicador do estoque de endividamento de 83,41% para 83,28% do PIB. Para 2027, passou de 86,75% para 86,60%.
O FMI calcula o endividamento incluindo os títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central, que não entram nas contas do governo, como critério para comparação com a situação de outros países.
Diferenças metodológicas à parte, o FMI prevê o maior nível de endividamento desde 2020, quando o mundo teve de afrouxar as políticas fiscais para lidar com a Pandemia. Na época, nos cálculos do Fundo, a dívida pública no Brasil chegou a 96%.
As novas projeções do fundo pioram, no geral, o cenário traçado para as contas públicas brasileiras em relação às divulgadas em outubro do ano passado. Na ocasião, a expectativa era que a dívida pública chegaria a 98,1% do PIB só em 2030. No cenário atualizado pode atingir 105,5% no primeiro ano da próxima década.
O Fundo, assim como os analistas de mercado, espera que haja mudanças na gestão das finanças públicas, até para evitar outros problemas além do avanço da dívida. O fiscal pesa na inflação, nos juros, que também impactam muito na dívida, afetando, inclusive, o potencial de expansão da economia, além de estrangular o espaço para despesas, para investimentos do setor público. Mas, se nada for feito, o Fundo Monetário calcula que a dívida brasileira chegará a 106,5% do PIB até 2031. Sendo que projeta um avanço de 12,6 pontos porcentuais na atual gestão de Lula.
No governo do ex-presidente Bolsonaro, houve melhora de menos de 1 ponto porcentual, segundo o organismo internacional.
O FMI também está mais cético em relação às metas fiscais, descartando um possível superávit no fechamento do atual mandato. Projeta déficit primário de 0,5% do PIB neste ano, ante 0,4% no ano passado. Mas já antecipa uma melhora a partir de 2027, quando as contas públicas devem ter um déficit primário de 0,4% do PIB. O esperado retorno dos saldos positivos deve vir em 2028, segundo ano do futuro governo, quando deve ficar em 0,1% do PIB.