

De acordo com Rondon, desse total, R$ 10 bilhões serão desembolsados ainda em 2025 e R$ 2 bilhões estão previstos para janeiro 2026. Ele citou que Banco do Brasil, Caixa e Bradesco entraram com R$ 3 bilhões cada, e Santander e Itaú, com R$ 1,5 bilhão cada.
“Isso vai permitir a adimplência nos contratos com fornecedores, benefícios de empregados e tributos, recuperar a qualidade da operação, que tem potencial de fazer a receita voltar a crescer, e, finalmente, a confiança de clientes e fornecedores”, declarou o presidente dos Correios.
Ele afirmou que permanece a necessidade de captação de R$ 8 bilhões, dado que o plano de reestruturação foi concebido com uma necessidade declarada de captação de recursos da ordem de R$ 20 bilhões, mas que as rodadas com bancos envolvendo esse montante tinham taxas que a empresa considerou elevadas.
Questionado sobre um eventual aporte de recursos públicos via Tesouro Nacional nos Correios no próximo ano, ele afirmou que ainda não há definição.
Uma segunda fase no plano de reorganização da entidade, prevista para começar em março, trata da otimização do quadro de pessoal e gestão de benefícios e contempla um programa de demissão voluntária (PDV) de 10 mil funcionários em 2026 e 5.000 funcionários em 2027. A economia anual estimada para essa fase do programa soma R$ 2,1 bilhões, com impacto pleno em 2028.
Também estão previstas revisões de cargos de média e alta remuneração e nos planos de saúde e de previdência.
De acordo com Rondon, gastos com pessoal representam cerca de 62% das despesas totais. E, se considerar precatórios trabalhistas, esse percentual sobe a 70%/72%.
Outra frente que será abordada, segundo o executivo, são parcerias com o mercado. “A expectativa é implementar essas parcerias, as mais relevantes, em 2026 para gerar impacto de R$ 1,7 bilhão em receita em 2027.”
A gestão de ativos, incluindo alienação de imóveis, é outro caminho a ser seguido pela estatal.
Rondon afirmou que, em uma expectativa conservadora, uma geração de receita da ordem de R$ 1,5 bilhão pode vir em 2026 da venda de imóveis ociosos e operações de “sale and leaseback”, quando se vende o imóvel, mas a empresa permanece no mesmo com acordo de aluguel feito na hora da venda.
O plano também prevê o redesenho da rede de operações, com otimização da malha logística e fechamento de unidades dos Correios que são deficitárias ou que têm sombreamento do ponto de atendimento, sombreamento em uma distância curta. O impacto esperado é de R$ 2,1 bilhões.
“Mas sempre sem afetar o cumprimento das regras da universalização que temos de cumprir como empresa”, salientou.
O presidente dos Correios também citou uma terceira fase no plano de reestruturação, olhando para o crescimento da companhia para um futuro mais de médio e longo prazos.
Ele afirmou que está em contratação uma consultoria externa para avaliar sob que arranjos consegue trabalhar, incluindo o arranjo societário. A ideia, acrescentou, é que a consultoria entregue um diagnóstico e um arranjo no qual a companhia possa fazer parcerias mais abrangentes envolvendo tanto as unidades de execução como as de negócio de ciclos.
Dentro das unidades de execução, estão as comerciais e operacionais — centros de tratamento logísticos e as agências dos correios.
“É uma visão de médio e longo prazo que demora um pouco para ser criada de uma forma responsável e também com tecnicidade para que se possa dar um novo passo para a companhia”, explicou Rondon.
“A exemplo também do que outras companhias no mundo fizeram, tem empresas de economia mista, tem vários tipos de arranjos com setor financeiro, de seguridade, e é algo que pretendemos fazer aqui também.”
Na frente de crescimento, os Correios também prevêem investimentos de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com financiamento do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), o banco dos Brics, destinados à automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de TI e redesenho da malha logística.
A expectativa é gerar mais de R$ 8 bilhões em receitas adicionais até 2029 e retomar resultados positivos de forma sustentável a partir de 2027.